Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Urgência

"Descobri que ao buscar, com urgência, a competência, corro o risco de me tornar um rápido incompetente."

Foi ao ler isto que ela despertou, mas - engraçado!!- tal frase sempre esteve escrita neste livro, pois que é, se não, o de sua própria vida.
Ela não sabe ler a língua dos outros, preferiu-se tornar-se analfabeta de alguns sinais. Sabem como é? Não se pode ser criticado por aquilo que se ignora, mas ela chora, quando vê-se sem palavras.
Tantas coisas que sufocam aos outros, a ela nem sequer um respirar custariam.
Somente a falta de palavras... isto sim a deixa ser ar, até acabar se rendendo ao irremediável medo do silêncio.
Como muitos não conseguem entender que o silêncio é ausência de som, mas não de comunicação? O que seriam dos olhos se o poder de transmissão estivesse concentrado na força da língua ao trabalhar o dia inteiro de movimento em movimento? Viveriam de impressos?
Compre os ingressos e adentre ao espetáculo monólogo do tal silêncio interior...
Quando se cala, é que a emoção mais fala...
Já experimentou estar confuso e indeciso? Ela já...
Não se pode imaginar por quanto tempo, com que intento...
Mas, ela ficou parada no meio de uma ponte, a qual a oferecia duas opções: voltar e seguir o rastro até se reencontrar; seguir o risco do novo, sabendo que o vento apagaria todas as marcas, desfazendo o trilho, de ladrilho a ladrilho... Ela não poderia mais voltar...
Arrisquem um palpite: foi ou voltou?
Só se sabe que, momentos antes de dar o primeiro passo, no que seria seu novo/velho caminho, ela leu uma frase que a acordou - engraçado!!- tal frase sempre esteve escrita neste livro?

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Senti saudades, como quem, pacientemente, espera o amor chegar...

Te amo Guiga... Você é a folha seca que pousou no meu ombro num destes outonos...

trOiAnA22

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Fora de mim

Hoje me dei essa chance de sair de mim, depois de uma intensa madrugada de insônia, de palavras verdadeiras lançadas ao ar que vieram parar aqui, diante dos meus olhos, na tentativa de cumprirem a terrível missão gritar aos meus olhos, ainda que tivesse, realmente, que sair de mim. Fugir àquilo que chamo de "parada obrigatória".
Então, ontem, eu chorei de solidão... E que gosto amargo essas lágrimas têm! E quando os olhos já doíam tanto quanto todo o restante - por dentro e por fora - eu morri e ressuscitei nove horas depois já prevendo o que eu esperava de mim pra esse dia tão ensolarado. E sim, não dou mais o direito de esperarem nada de mim, nada que eu não possa dar, ser, fazer... Vivi muitos anos fazendo isso, doando falsos sorrisos. E o que eu recebi? Merecidamente, falsos amores.
Entreguei meu espaço longo de tempo a uma leitura - Para Francisco - que me fez doer até os ossos, deitada na rede, exposta ao vento eu recebia cada golpe dessa escrita e ia me encolhendo, deixei-me abafar entre meus soluços por compartilhar da dor de alguém, enquanto a minha, também, lateja. Depois, aquele vento gelado do inverno veio - de dentro pra fora - e me rendi ao calor que não era teu... e quando fechei a rede sobre meu rosto pensei: eis o meu casulo, eis o motivo das dores, são asas nascendo, externando meu desejo de voar, sem fronteira, sem eira nem beira. Mas, ainda, não posso, porque em todas as demais vezes que pensei que estivessem prontas, eu as quebrei. Destruí minhas asas, e sabem o que temos que fazer quando isso acontece? Voltar ao casulo e deixar o tempo recuperá-las... É por isso que estou aqui agora, presa, limitada, estagnada... Estou deixando que o tempo me dê, novamente, uma chance de tentar um voo calmo, sair desequilibrado janela a fora, perto da lua, sobre o mar... sem nada esperar. Pousar em uma árvore ao invés de sonhar e arriscar voos tão altos, como os de antes que me deixaram sem fôlego e de asas podadas.
Alguns passam a vida inteira com asas quebradas e nunca se permitem voltar ao casulo pra se refazerem, nunca permitem que o tempo lhes dê uma nova oportunidade, não sabem esperar e nem merecê-la. Acho triste ficar aqui sozinha, mas sei que um dia posso sair e isso é melhor do que continuar solta e limitada pra sempre.
Enquanto estava ali lendo, meus cachorros me rodeavam e me davam lambidas das mais gostosas, eles sim, eles sabem o que tem se passado nesse meu olhar. Eles sentem... não mentem.
A noite caiu e eu não pude segurá-la, a lua subiu e nem pude alcançá-la... Mas, pude correr ao encontro do vento batendo no rosto. E senti que o tempo me dizia: "corre, corre e um dia voarás com a mesma intensidade, porque só eu sei o quanto me esperas, o quanto me veneras e o quanto aprendeste a estar aqui comigo, no ritmo do agora".

E eu acredito no tempo, porque ele tem sido, junto aos meus livros, meu maior aliado. E só tenho medo de ser caçada, porque borboletas, voam voam, embelezam o mundo e colorem de paz por onde passam. E eu, ainda, sou um caos de borboleta...

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By Dona trOiAnA22